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sábado

Alemanha e França vão tentar salvar a Grécia da crise

A chanceler (chefe de governo) alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, fecharam ontem o que consideram quatro princípios básicos para a nova recuperação da Grécia: participação voluntária do setor privado, acordo com o Banco Central Europeu (BCE) e que o pacote seja imediato, porém sem fixar prazos e sem permitir morosidade.


O tom geral do acordo entre os governos é que a participação do setor privado e dos bancos na recuperação seja voluntária e sem uma reestruturação forçada, algo que o BCE alertou que teria efeitos catastróficos nas demais nações da zona do euro e em seu sistema financeiro. Isso está na base da resistência dos investidores com os chamados países periféricos do euro.


Sarkozy explicou que a França e a Alemanha favorecem o chamado “espírito de Viena”, acordos de 2008 para ajudar os países do Leste europeu a superar as turbulências e que implicam uma participação voluntária por parte dos credores. A Grécia, uma das mais afetadas pela crise da dívida europeia, já recebeu em 2010 um pacote de resgate de US$ 160 bilhões da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo, contudo, descumpriu as metas fiscais previstas e alerta que, se deixar de receber uma nova ajuda, vai quebrar.


Em troca da quinta parcela do primeiro pacote de 12 bilhões de euros (previsto para julho), e do novo pacote de resgate, o primeiro-ministro grego, Giorgios Papandreou, tenta aprovar um segundo pacote de austeridade, com 6,5 bilhões de euros em aumentos de impostos e cortes de gastos estatais neste ano. A oposição, contudo, resiste, diante de manifestações populares e greve geral.


Na reunião de ontem, Sarkozy afirmou que o novo pacote de ajuda à Grécia é necessário. Pediu ao governo grego que acelere as reformas e leve a cabo mais privatizações. “Não há tempo a perder”, disse. Já Angelal disse apoiar o governo de Papandreou e pediu à oposição em Atenas que faça o mesmo. Ela assegurou ainda não ter “nenhuma dúvida” de que a Grécia pode superar a crise.


Pontos do acordo

A posição comum entre os dois países tem base em quatro pontos essenciais. Primeiro, a quitação ou adiamento da cobrança das dívidas gregas deve ser voluntária. Segundo, a nova reestruturação da dívida grega não deve ser percebida de forma alguma como um “caso de inadimplência de crédito”, o que teria consequências negativas para a nota de risco dos bancos que investiram na dívida grega, que são principalmente franceses e alemães, e também para o próprio BCE.

Terceiro, qualquer decisão será tomada de acordo com o próprio BCE. E, por último, a Europa deve agir o mais rápido possível, embora sem fixar datas. O ponto comum entre Alemanha e França é importante para tentar destravar o resgate, no que falta consenso entre todas as nações da zona do euro. (da agência Folhapress)

E agora


ENTENDA A NOTÍCIA

A crise da Grécia pode ter profundas implicações para a economia mundial e a União Europeia.Há temores de que um agravamento da crise leve a um eventual calote da dívida grega e que países como Portugal, Itália, Espanha e Irlanda acabem entrando pelo mesmo caminho.

A CRISE NA GRÉCIA


Qual será o desfecho da crise grega?


Otimista: países europeus concordam em financiar a Grécia até o fim da crise. Com apoio político interno e consenso na Europa, novo pacote é aprovado sem que investidores privados sejam envolvidos. Situação se acalma no país, o calote e o contágio são evitados.


Provável: principais países europeus, banco central europeu e FMI concordam com a “reestruturação” da dívida, que seria um calote coordenado. Como os credores serão atraídos ao acordo de forma voluntária, não há contágio para outros países.


Desastroso: este cenário seria o equivalente a “Lehman Brothers, o retorno”. Calote é imposto aos investidores internacionais. Países “periféricos” da Europa sofrem contágio da crise grega e sistema financeiro também é contaminado. Banco Central Europeu tem que socorrer bancos dentro e fora da Grécia. Crise atravessa o Atlântico e chega aos Estados Unidos.