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quarta-feira

O triste adeus ao ator Ítalo Rossi



Companheiros de palco de Ítalo Rossi se despediram dele ontem relembrando momentos de suas quase seis décadas de carreira, e falando de seus projetos futuros. O ator, que morreu na terça-feira, de insuficiência respiratória, fumara por boa parte de seus 80 anos, mas tinha largado o cigarro havia vários meses, segundo Humberto Rossi, seu sobrinho. Como diretor, tinha duas peças planejadas.
"Liguei para o Ítalo anteontem (segunda-feira) e disse que estava com bronquite. Ele brincou dizendo que tinha bronquite desde os 7 anos", contou Camila Amado, amiga desde os anos 50, desolada no velório, no Cemitério do Caju, onde o corpo foi enterrado à tarde. "Dei muita sorte de ter encontrado o Ítalo, devo tudo a ele. Foi com 17 anos que o conheci, e nunca mais nos largamos. Tínhamos o projeto de levar as crônicas de Danuza Leão para o teatro." A morte pegou de surpresa mesmo os mais chegados. O ator foi internado na segunda-feira no Hospital Copa D'Or, no Rio, com dificuldade para respirar. "Ele tinha problemas respiratórios há muito tempo, mas tinha parado de fumar, depois de várias tentativas. Era vibrante e a cabeça estava excelente", disse Humberto Rossi. A atriz Ester Jablonski contou que para hoje estava planejada a primeira reunião do próximo espetáculo: uma peça escrita por Marcelo Rubens Paiva que Ítalo dirigiria, tendo Ester como assistente e também como atriz, que se baseia em relatos recebidos pelo Disque-Denúncia e se chama "C'est la Vie". "Vamos fazer sem Ítalo. Ele estará presente do jeito dele." No início do ano, Ester e Antonio Gilberto lançaram no Rio a biografia "Ítalo Rossi: Isso É Tudo." A noite foi a de seu aniversário de 80 anos, e o ator recebeu amigos como Miguel Falabella, Nathalia Timberg, Cissa Guimarães, Renata Sorrah e Daisy Lúcidi. "Espero que as pessoas que me assistiram durante todo esse tempo se lembrem de mim", ele declarou a jornalistas na ocasião. Ítalo não havia guardado os registros de sua trajetória artística. Para fazer a biografia, foi necessária uma pesquisa de um ano, lembrou hoje Ester. "Ele não tinha material algum. Mas se orgulhava muito de sua história. A vida dele era a vida no teatro. Estou muito feliz de ter podido fazer esse livro." O ator Sérgio Britto, reverenciado como tal, sentenciou: "Foi o maior ator brasileiro." "Lembro dele fazendo Casa de Chá do Luar de Agosto, no TBC (Teatro Brasileiro de Comédia, seu primeiro palco importante, onde ganharia prêmio de revelação em 1956). Ele só queria fazer aquilo" contou Britto. O ator Felipe Wagner falou do companheiro de trabalho: "Nunca vi o Ítalo elevar o tom de voz, além daquele tom já marcante dele. Era uma pessoa muito agradável de se trabalhar."